Leitura bíblica: Daniel 6:1-23; Salmo 15:1-5
A integridade é uma das marcas mais importantes de uma vida verdadeiramente comprometida com Deus. É relativamente fácil demonstrar uma conduta correcta quando estamos rodeados de pessoas que nos observam, quando a nossa reputação está em causa ou quando esperamos receber algum benefício. O verdadeiro carácter, porém, manifesta-se sobretudo quando ninguém está a observar, quando fazer o que é correcto tem um custo e quando poderíamos beneficiar de uma decisão desonesta sem que ninguém descobrisse. Para o cristão, a integridade não depende da vigilância humana, mas da consciência de que vivemos permanentemente diante de Deus.
A história de Daniel ilustra admiravelmente este princípio. Quando os seus adversários procuraram encontrar motivos para o acusar perante o rei, não conseguiram identificar corrupção ou negligência no seu trabalho. Daniel era fiel às suas responsabilidades, apesar de viver numa sociedade estrangeira e de ocupar uma posição de grande influência. A sua conduta não era apenas uma estratégia para conservar o cargo; resultava de convicções profundas. Daniel 6:4 descreve como os seus adversários procuravam encontrar alguma falha na sua administração, mas não conseguiam fazê-lo. A sua fidelidade a Deus reflectia-se também na sua competência profissional e na sua honestidade.
Contudo, a integridade de Daniel foi verdadeiramente provada quando a obediência a Deus passou a representar um perigo para a sua própria vida. Perante o decreto que proibia dirigir petições a qualquer deus ou homem, excepto ao rei, Daniel não abandonou a sua prática habitual de oração. Daniel 6:10 relata que continuou a orar e a dar graças a Deus, como fazia anteriormente. Não procurou provocar os seus adversários, mas também não permitiu que uma ordem humana o levasse a desobedecer ao Senhor. A sua atitude demonstra que a fidelidade bíblica não consiste em procurar conflitos, mas em permanecer obediente a Deus quando existe um conflito real entre a autoridade humana e a vontade divina.
Esta história conduz-nos a uma pergunta importante: será que a nossa fé influencia as nossas decisões quando a obediência implica perder alguma coisa? A integridade pode exigir que recusemos uma vantagem obtida através da mentira, que admitamos um erro em vez de o escondermos, que cumpramos uma promessa mesmo quando se torna inconveniente ou que defendamos a verdade quando o silêncio seria mais vantajoso. Provérbios 10:9 ensina que quem anda em integridade caminha seguro, enquanto aquele que segue caminhos perversos acaba por ser descoberto. A integridade nem sempre proporciona vantagens imediatas, mas permite-nos viver sem a duplicidade de quem precisa constantemente de esconder os seus actos.
O Salmo 15 apresenta uma questão fundamental: quem pode habitar na presença de Deus? A resposta descreve uma pessoa que anda com integridade, pratica a justiça e fala a verdade no coração. O salmo menciona também a maneira como tratamos o próximo, a nossa relação com os compromissos assumidos e a recusa de obter benefícios através da injustiça. Isto demonstra que a espiritualidade bíblica não pode ser separada da conduta moral. Conhecer a Bíblia, participar nos cultos e falar frequentemente de Deus não substitui uma vida caracterizada pela honestidade. A nossa doutrina deve influenciar as nossas acções; caso contrário, corremos o risco de professar com os lábios aquilo que negamos através do comportamento.
Hoje, examina a tua vida diante do Senhor. Existe alguma área em que a tua conduta privada não corresponde àquilo que demonstras publicamente? Há alguma responsabilidade que tens negligenciado, alguma verdade que tens evitado ou alguma atitude que precisas de corrigir? Não encares estas perguntas como motivo para desespero, mas como uma oportunidade para arrependimento e transformação. Deus não nos chama a construir uma imagem de perfeição perante os homens, mas a caminhar sinceramente na verdade, reconhecendo os nossos pecados e procurando viver em obediência à Sua Palavra. Lembra-te do princípio de Colossenses 3:23: tudo aquilo que fazemos deve ser realizado de coração, como para o Senhor. A integridade começa quando deixamos de perguntar apenas se alguém descobrirá o que fazemos e passamos a perguntar se a nossa conduta é agradável a Deus. Que a tua vida pública e privada revele a mesma fidelidade, para que Cristo seja honrado em tudo.
