Reflexão Bíblica Diária — 1 de novembro de 2026
Uma das realidades que mais facilmente esquecemos é que o nosso tempo neste mundo é limitado. Vivemos frequentemente como se tivéssemos sempre mais um dia, mais uma oportunidade e tempo suficiente para resolver aquilo que continuamente adiamos. Ocupamo-nos com inúmeras tarefas, preocupações e projectos, mas nem sempre paramos para avaliar se estamos a dedicar a nossa vida àquilo que verdadeiramente importa. A Bíblia confronta-nos com esta tendência e recorda-nos que a existência humana é passageira. Em Salmo 90:12, Moisés apresenta uma oração que deveria acompanhar a nossa reflexão diária: «Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio» (A21). Contar os nossos dias não significa viver obcecados com a morte ou com o tempo que nos resta. Significa reconhecer a brevidade da vida e adquirir sabedoria para utilizar cada oportunidade de maneira responsável, diante de Deus.
O Salmo 90 é particularmente significativo porque estabelece um contraste entre a eternidade de Deus e a fragilidade humana. Moisés declara que, antes de os montes nascerem e de a terra e o mundo serem formados, Deus já existia e permanecerá eternamente (Salmo 90:1-2). O ser humano, pelo contrário, é comparado à erva que floresce de manhã e à tarde seca. Esta comparação não pretende diminuir a dignidade da vida humana, mas colocar a nossa existência na perspectiva correcta. Somos criaturas, não somos eternos nem temos controlo absoluto sobre o futuro. A nossa vida depende do Criador, e a verdadeira sabedoria começa quando reconhecemos essa dependência. Esta consciência também nos ajuda a relativizar muitas das preocupações que nos consomem. Aquilo que hoje parece absolutamente determinante pode perder toda a importância quando considerado à luz da eternidade. Não devemos desperdiçar a vida com aquilo que não tem valor duradouro.
O apóstolo Paulo desenvolve uma orientação semelhante em Efésios 5:15-17, quando exorta os cristãos a viverem com prudência, aproveitando bem o tempo, porque os dias são maus. A expressão traduzida como aproveitar bem o tempo transmite a ideia de resgatar ou aproveitar as oportunidades. Paulo não está simplesmente a recomendar uma melhor organização das tarefas quotidianas, mas a chamar os crentes a viverem com consciência espiritual num mundo marcado pelo pecado. Há oportunidades para fazer o bem que não devem ser desperdiçadas, pessoas que precisam de ouvir o Evangelho, responsabilidades que não podem ser continuamente adiadas e decisões que exigem coragem. A vida cristã não deve ser conduzida de forma automática, deixando que as circunstâncias determinem todas as nossas prioridades. Precisamos de discernir aquilo que Deus espera de nós e agir enquanto temos oportunidade. O tempo é um recurso que não podemos recuperar depois de o desperdiçarmos.
Esta consciência deve também transformar a maneira como fazemos planos para o futuro. Planear não é errado; pelo contrário, a prudência exige que pensemos nas consequências das nossas decisões e que preparemos o que está ao nosso alcance. O problema surge quando fazemos planos como se o futuro nos pertencesse inteiramente. Em Tiago 4:13-16, o apóstolo confronta aqueles que afirmavam que iriam a determinada cidade, permanecer ali um ano, negociar e obter lucro, sem reconhecerem a incerteza da própria existência. Tiago recorda que não sabemos o que acontecerá amanhã e compara a nossa vida a uma neblina que aparece por algum tempo e depois desaparece. Por isso, devemos dizer: «Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo» (Tiago 4:15, A21). Esta declaração não é uma fórmula religiosa que precisamos de repetir mecanicamente, mas a expressão de uma atitude de humildade. Fazemos planos, trabalhamos e assumimos compromissos, mas reconhecemos que a nossa vida e o nosso futuro estão nas mãos de Deus.
Jesus apresentou uma advertência particularmente séria sobre este assunto na parábola do rico insensato, em Lucas 12:16-21. Um homem possuía terras que tinham produzido abundantemente e decidiu construir celeiros maiores para guardar os seus bens. Convencido de que tinha garantida uma vida longa e confortável, planeou descansar, comer, beber e divertir-se. Contudo, Deus declarou-lhe que naquela mesma noite a sua vida lhe seria pedida. O problema daquele homem não era simplesmente possuir riqueza ou planear o futuro. Era viver como se os bens materiais fossem suficientes para assegurar a sua existência e como se não tivesse de prestar contas a Deus. Jesus conclui advertindo contra o perigo de acumular tesouros para si próprio sem ser rico para com Deus. Esta parábola obriga-nos a perguntar se estamos a investir a maior parte das nossas energias em coisas passageiras enquanto negligenciamos a nossa relação com o Senhor, a família, o serviço cristão e as necessidades daqueles que nos rodeiam. A prosperidade material pode proporcionar conforto, mas não pode comprar a eternidade.
A consciência da brevidade da vida não deve, contudo, produzir desespero. Para quem está em Cristo, a morte não representa o fim da esperança. Jesus declarou em João 11:25: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá» (A21). A ressurreição de Cristo é o fundamento da nossa esperança futura e dá significado à maneira como vivemos no presente. Não somos chamados a desperdiçar os nossos dias em ansiedade, nem a perseguir incessantemente conquistas que não podemos levar connosco. Somos chamados a viver para a glória de Deus, a amar com sinceridade, a servir com fidelidade e a anunciar o Evangelho enquanto temos oportunidade. Hoje, façamos uma avaliaçÃ
